domingo, novembro 12, 2006

Quando Nietzsche Chorou...


Geralmente eu leio rápido os meus livros, mas demorei um pouco neste acima. Eu ganhei ele de presente, e estava muito animada para lê-lo. Mas a história começou a me fazer mal, em certas ocasiões identificar-se com as situações narradas deixou-me inquieta. Mas no fim, é tudo ficção, é história. E fui chegando ao fim com a sensação que mesmo assim, havia de certa forma mexido com minhas emoções e me feito, inconscientemente, avaliar o quanto o medo de viver pode custar a própria vida.

"Alguns não conseguem afrouxar suas próprias cadeias e, não obstante, conseguem libertar seus amigos.
Você tem que estar preparado para se queimar em sua própria chama:
como se renovar sem primeiro se tornar cinzas?"
- Assim falou Zaratustra
"De que serve um livro que não nos transporta além de todos o livros."
Nietzsche.

sábado, novembro 11, 2006

A dor



Poucos foram os momentos da minha vida em que eu não consigo nem ao menos escrever. Sempre tive essa mania de conversar assim comigo mesma. Antes era num papel restrito,hoje é num blog, onde não faço idéia de quem lê ou não.

Eu escolhi ficar sozinha, eu amante das pessoas, da família. Fiquei horas aqui em minha casa, sem conversar, sem ter vontade disso, aliás, impossibilitada disso. Estava na sacada, observando a cidade, pensando na minha tristeza. Não sou boa em pensar em mim mesma e de uma hora pra outra ter que fazê-lo causou certo assombro.

Queria muito sentir-me bem e não ter essa dor, mas faz-se necessário sucumbir pra que depois eu renasça. Que tipo de pessoa serei ainda eu não sei, eu não vou pensar a longo prazo. Sei que escolhi a verdade e disse tudo que nunca tive coragem de dizer, resultado: minha garganta interditou-se, apenas o ar passa por ela,mas como ocorre comigo, ela vai sarar, eu vou voltar a ser feliz e as dores me servirão apenas como aprendizado...

terça-feira, novembro 07, 2006

Admito que perdi

Se você não suporta mais tanta realidade
Se tudo tanto faz, nada tem finalidade
Então pra quê viver comigo?
Eu não vou ficar pra ver nossa ponte incendiada
Nossa igreja destruída, nossa estrada rachada
Pela grande explosão que pode acontecer no nosso abrigo
Olhei pro amanhã e não gostei do que vi
Sonhos são como deuses
Quando não se acredita neles, deixam de existir
Lutei por sua alma, mas admito que perdi
E agora vou me perder nesse planeta conhecido
Intuir novos mistérios que ficaram escondidos
Naquelas palavras marcadas na sua carta de Adeus
Meu corpo vai sobreviver mesmo estando ferido
E até na hora de morrer eu não vou me dar por vencido
Porque sei que meus perdões vão estar bem ao lado dos teus
Olhei pro amanhã e não gostei do que vi
Sonhos são como deuses
Quando não se acredita neles, deixam de existir
Paulinho Moska.

Admito que perdi.
Não por falta de tentar, não por falta de querer... mas chega a hora que não se tem o que oferecer, na medida que você não recebe...sinto muito, sinto tanto...não suporto ver sofrimento, muito menos provocá-lo!

sábado, novembro 04, 2006

Noite da Seresta

Amanhã

Amanhã será um lindo dia
Da mais louca alegria
Que se possa imaginar
Amanhã, redobrada a força
Pra cima que não cessa
Há de vingar
Amanhã, mais nenhum mistério
Acima do ilusório
O astro rei vai brilhar
Amanhã a luminosidade
Alheia a qualquer vontade
Há de imperar, há de imperar
Amanhã está toda a esperança
Por menor que pareça
O que existe é pra festejar
Amanhã, apesar de hoje
Ser a estrada que surge
Pra se trilhar
Amanhã, mesmo que uns não queiram
Será de outros que esperam
Ver o dia raiar
Amanhã ódios aplacados
Temores abrandados
Será pleno, será pleno

quinta-feira, novembro 02, 2006

Recordar é viver...











Tem muita coisa que eu não curtia,mas só de ver essas imagens já lembro de uma época muito boa,nem tinha CPF ainda...não sabia como era feliz!

Valeu Aline, obrigada pelo email!

Finados

Nos últimos tempos tenho ouvido com freqüência a utilização da palavra " Finado" para determinar ex -amores. Um ex namorado que afoito procurou carinho num outro alguém, um ex noivo que não agüentou a personalidade da noiva, um ex marido que desconfia-se ter outra família, ou pior, era um homossexual querendo se esconder num casamento. Mentiras, traições e desilusão. Há uma série de bons e maus motivos para esses finados amores. Minhas amigas sabem bem do que estou falando.
A morte do amor pode vir de várias maneiras. Súbita, quando parece tudo bem e você acorda odiando aquela pessoa, por quem fazia todas as vontades e achava ser o amor de sua vida. A morte involuntária, aquela que você nem sabe porque acabou, mas sente que não vai dar mais pra continuar. E a morte homeopática, essa sim, só para pessoas portadoras de grande masoquismo, pois nesse caso, o amor acaba num conta gotas constante, de desilusão, anulação, falta de atenção, falta de amor, diálogo. E então acaba surgindo o defunto, aquele quase suicida, pois sabia que não iria dar certo, mas insistiu, insistiu...
E há o período do velório, onde cada um fica espiando aquele corpo imóvel, pálido e sem vida. Imaginando onde será que ele vai agora?
Depois a volta pra casa, e para os menos preparados, o assombro dos fantasmas. Sempre há um morto, ou morta, que quer voltar. E por mais que você explique que já não faz parte desse plano terrestre, é uma alma conturbada, não aceita a condição de defunta. Eu daria um conselho para isso, não acredite tanto nos fantasmas, eles são persuasivos, mas tão inconstantes...pois ao provar sua liberdade, não querem ter a responsabilidade de ficar definitivamente ao teu lado.
Exorcisar eles é algo muito difícil e doloroso, pode levar bastante tempo, mas é exatamente o tempo que faz as feridas irem fechando, as tormentas virarem chuva fina e lá bem na frente, a esperança de lembrar apenas do que foi bom, e assim sentir que tudo valeu a pena,por um breve instante.
Acredito muito na vida após a morte, isso não tem a ver com religiosidade,não. Acredito que temos sempre a chance de recomeçar, redirecionar a vida para algo que faça sentido, para sentir que vale a pena soltar um sorriso ao pensar em si mesmo, valorizando-se e amando-se um pouco mais a cada dia. Assim, com a estima em dia, você enche de luz o teu caminho. De vida, de esperança e faz com que todos ao seu redor recebam isso também.
E se o amor morreu, de qualquer maneira, tenha sempre a esperança de que a vida é sempre maior que a morte. E a morte é a chance do recomeço. Viva bem! Festeje a vida sempre!

quarta-feira, novembro 01, 2006

Deixaria pra você...

Se eu pudesse deixar algum presente a você,
deixaria aceso o sentimento de amar a vida dos seres humanos.
A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo a fora.
Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem.
A capacidade de escolher novos rumos.
Deixaria para você se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho.
Além do trabalho, a ação.
E, quando tudo mais faltasse, um segredo:
O de buscar no interior de si mesmo
a resposta e a força.

Mahatma Gandhi

terça-feira, outubro 31, 2006

A última gota


Várias vezes achei que estava louca
como posso querer mais?
Trancada em mil razões
Escondida de mim mesma
Bradei pra vida
Eu estou aqui!
Quero voltar urgentemente para meu ser
aquele que escondi por puro medo.
Vou olhar bem nos olhos da minha mágoa
falar que agora é adeus!
Fecho minha porta para qualquer ressentimento
Olho para o dia amanhecendo
respiro fundo e digo:
quero apenas viver...
Juliana

segunda-feira, outubro 30, 2006

Sentimentos

















Tu e eu, ao perdermos

um ao outro,

Ambos perdemos.

Eu, porque tu eras o que

eu mais amava,

Tu, porque eu era quem

te amava mais.

Mas, entre nós dois,

Tu perdes mais do que eu.

Porque eu poderei amar

a outras

Como amei a ti.

Mas a ti nunca ninguém

jamais amará

Como eu te amei".

domingo, outubro 29, 2006

As Três Velhas


Era uma vez três irmãs, todas as três jovens: uma tinha sessenta e sete anos, a outra setenta e cinco e a terceira noventa e quatro. Essas moças possuíam uma casa com um belo balcão, e este balcão tinha um buraco no meio, para ver as pessoas que passavam pela rua. A de noventa e quatro anos viu passar um lindo jovem; depressa, pegou seu lencinho mais fino e perfumado e, enquanto o jovem passava sob o balcão, deixou-o cair. O jovem recolheu o lencinho, sentiu aquele odor suave e pensou: " Deve ser de uma belíssima donzela". Deu alguns passos, voltou e tocou a campainha da casa. Uma das três irmãs veio abrir e o jovem lhe perguntou:
- Por favor, nesta casa reside uma moça?
- Sim, senhor, e não é só uma!
- Faça-me um favor: gostaria de ver a que perdeu este lenço.
- Não, sabe, não é permitido - respondeu ela - , nesta casa é costume não poder ver a mulher antes do casamento.
O jovem já se deixara envolver, imaginando a beleza daquela moça, e disse:
- Não faz diferença. Casarei com ela mesmo sem vê-la. Agora vou ter com minha mãe para lhe dizer que encontrei uma belíssima jovem e quero desposá-la.
Foi para casa e contou tudo à sua mãe, que lhe disse:
- Querido filho, pense bem no que faz, cuidado para não ser enganado. Antes de fazer uma coisa dessas é preciso pensar bem.
E ele:
- Para mim dá no mesmo. Palavra de rei não volta atrás. - Pois aquele jovem era um rei.
Volta à casa da noiva, toca a campainha e sobe.
Aparece a mesma velha e ele lhe pergunta:
- Só uma coisa, a senhora é a avó dela?
- Sim, sim: a avó dela.
- Já que é avó dela, faça-me este favor: mostre-me pelo menos um dedo daquela moça.
- Por enquanto não. é preciso que venha amanhã.
O jovem se despediu e foi embora. Assim que ele saiu, as velhas fabricaram um dedo falso, com um dedo de luva e uma unha postiça. Entretanto, roído pelo desejo de ver aquele dedo, ele não consegui dormir à noite. Amanheceu, vestiu-se, correu até a casa.
- Senhora- disse à velha - , estou aqui: vim para ver o dedo de minha noiva.
- Sim, sim - disse ela - , já, já. Poderá vê-lo por este buraco da porta.
E a noiva exibiu o dedo falso pela fechadura. O jovem viu que era um belíssimo dedo; deu-lhe um beijo e colocou nele um anel de diamantes. Depois, loucamente apaixonado, disse à velha:
- Vovó, fique sabendo que desejo casar o mais breve possível, não posso mais esperar.
E ela:
- Amanhã mesmo, se quiser.
- Muito bem! Caso amanhã, palavra de rei!
Ricos como eram, podiam providenciar as núpcias de um dia para o outro, já que não lhes faltava nada; e no dia seguinte a noiva se preparava com a ajuda de suas duas irmãzinhas. O rei chegou e disse:
- Vovó, estou aqui.
- Espere aqui um momento, que já vamos trazê-la.
As duas velhas vieram conduzindo a terceira pelo braço, coberta por sete véus.
- Lembre-se bem - disseram ao noivo - , até chegar ao quarto nupcial, não é permitido vê-la.
Foram à igreja e casaram-se. Depois o rei queria que participassem de um banquete, mas as velhas não permitiram.
- Sabe, a noiva não está habituada a estas coisas.
E o rei teve que calar-se. Não via a hora que chegasse a noite, para ficar sozinho com a esposa. Mas as velhas acompanharam a mulher até o quarto e não o deixaram entrar porque tinham que despi-la e colocá-la na cama. Finalmente ele entrou, sempre com as duas velhas atrás, e a esposa estava debaixo das cobertas. Ele se despiu e as velhas foram embora levando o candeeiro. Mas ele trouxera uma vela no bolso, acendeu-a e quem encontrou pela frente?
Uma velha decrépita e enrugada!
A princípio, ficou imóvel e sem palavras devido ao susto; depois, foi tomado de uma raiva tão grande, que agarrou a mulher com violência, levantou-a e a fez voar pela janela.
Sob a janela havia uma pérgola de uma vinha. A velha arrebentou a pérgola e ficou pendurada num pau pela fímbria da camisola.
Naquela noite, três fadas passeavam pelos jardins: passando sob a pérgola, viram a velha balançando. Diante de tal espetáculo inesperado, todas as três fadas explodiram em risos, tanto que no final sentiram a barriga doer. Mas, quando pararam de rir, uma delas disse:
- Agora que rimos tanto às suas custas, temos que lhe dar uma recompensa.
E uma das fadas adiantou-se:
- Claro que vamos lhe dar. Ordeno, ordeno que você se torne a mais bela jovem que se possa ver com dois olhos.
- Ordeno, ordeno - disse a outra fada - que você tenha um belíssimo marido que a ame e proteja.
- Ordeno, ordeno - disse a terceira - que você seja uma grande senhora por toda a vida.
E as três fadas foram embora.
Assim que clareou, o rei despertou e se lembrou de tudo. Para certificar-se de que tudo não havia passado de sonho horrível, abriu as janelas para ver aquele monstro que havia jogado lá embaixo na noite anterior. E eis que vê, apoiada na pérgola da vinha, uma belíssima jovem. Pôs as mãos na cabeça.
- Coitado de mim, o que fiz!
Não sabia como fazer para trazê-la para cima; por fim, pegou um lençol da cama, jogou-lhe uma ponta para que pudesse agarrar e a puxou para o aposento. E quando a teve ao seu lado, feliz e ao mesmo tempo cheio de remorsos, começou a lhe pedir perdão. A esposa o perdoou e assim passaram a entender-se muito bem.
Depois de algum tempo ouviu bater.
- É a vovó - disse o rei. - Entre, entre!
A velha entrou e viu na cama, no lugar da irmã de noventa e quatro anos, aquela belíssima jovem. E essa belíssima jovem, como se não houvesse acontecido nada, disse-lhe:
- Mas como é que você se tornou assim tão jovem?
E a mulher:
- Silêncio, silêncio, por caridade! Se soubesse o que fiz! Deixei que me aplainassem!
- O marceneiro!
A velha voou até o marceneiro.
- Marceneiro, poderia me dar uma aplainada?
E o marceneiro:
- Oh, por Deus! Certo que a senhora é magra como uma tábua, mas se eu a aplainar, vai direto para o outro mundo.
- Nem pense nisso, senhor.
- Como: não penso? E depois que eu a tiver matado?
- Não pense nisso. Dou-lhe uma moeda de ouro.
Quando ouviu a palavra " ouro " , o marceneiro mudou de idéia. Pegou a moeda e disse:
- Deite-se aqui no banco que aplaino quantas vezes quiser. - E começou a aplainar uma bochecha.
A velha deu um berro.
- Como é que é ? Se gritar, não fazemos nada.
Ela se virou para o outro lado, e o marceneiro lhe aplainou a outra bochecha. A velha não gritou mais, estava morta.
Da outra nunca se soube que fim levou. Se foi sufocada, degolada, morta em sua cama ou quem sabe onde: não se pode saber.
E a mulher ficou sozinha em casa com o jovem rei, e foram felizes para sempre.

sexta-feira, outubro 27, 2006

The end




Na minha adolescência eu era alucinada por The Doors...tinha aqueles posters na parede do quarto e o Jim Morrison com aquele olhar lisérgico no meu caderno.Poderia ouvir as músicas sem enjoar, 20 vezes e ainda tinha a mania besta de achar que só eu poderia conhecer algo tão bom como o The Doors. Em todos os lugares, só se ouvia música sertaneja,meus amigos, minha família e achava-me um peixe fora d'água. Mas tudo bem,um dia eu conheci uma pessoa que gostava, e que até dividiu seu walkman comigo. Eu comecei a escutar "Light My Fire" e levei a sério demais... Que besteira! Hoje não tenho os mesmos interesses, passei tanta coisa e não tenho aquela ingenuidade. Ainda bem...transformar é evoluir de certa maneira. E sabe o que sobrou do The Doors hoje,no meu pensamento:


The End

" This is the end
Este é o fim
Beautiful friend
Belo amigo
This is the end
Este é o fim
My only friend, the end
Meu único amigo, o fim
Of our elaborate plans, the end
Dos nossos planos elaborados, o fim
Of everything that stands, the end
de tudo que permanece, o fim
No safety or surprise, the end
Sem salvação ou surpresas, o fim
I'll never look into your eyes...again
Eu nunca olharei em seus olhos ... novamente "
Jim Morrison
Aquilo que se vive intensamente, não se vai assim de uma hora para a outra. É algo que foi constantemente relegado, abandonado ou desmerecido num período insano. Onde as responsabilidades são divididas e fielmente distribuídas. Pego a minha, não vou aumentar a medida, mas também não tenho vontade de refazer, reconstruir ou repensar...This is the end, pra mim!

quarta-feira, outubro 25, 2006

Fale com Ela


A primeira vez que assisti este filme, achei um tanto melancólico e trágico. Que bom ter uma segunda chance e perceber que na verdade é um filme encantador.
Tudo é uma questão de momento.
Talvez não seja tão surreal, acredito ser possível acontecer um amor assim. Pois esse sentimento não navega nas águas da certeza. É imprevisível e nunca poderemos saber quando e porque surge...ou acaba...

terça-feira, outubro 24, 2006

País das Maravilhas


Queria achar um coelho maluco, como o da Alice do País das Maravilhas!
Ele sempre me irritou, porque fala do tempo.
E odeio ver o tempo passar, insosso e querendo me atropelar. Igual o maldito coelho!
Eu não machucaria ele,nem faria nenhuma maldade, mas seguraria no pescoço e diria:
-Pára!!! Não me lembre de tudo aquilo que não fiz! Não me lembre que o tempo passou mais rápido do que tudo aquilo que eu poderia realizar! Vem aqui... vamos tomar um chá e comer uns bolinhos de chuva...
Mesmo esperneando,eu não o soltaria até se acalmar.
Vendo que eu não daria chance, acabava sentando. Por que sou persistente.
E assim,de alguma maneira tomaria conta dele. Pelo menos não me irritaria. Compreenderia melhor, que no fundo ele me avisa:
-É tarde! É tarde! Ai, ai meu Deus!
Não é tarde pra mim. Eu tenho que ver outras coisas, conhecer outras paisagens e sabores.
Tanto ainda, que tenho que começar logo. Fazer meu paraíso interno vir a tona. Depois disso, o tempo, as frustrações e mágoas não terão o menor sentido...
Estou fazendo as pazes comigo, já é um bom começo!

segunda-feira, outubro 23, 2006

Uma madrugada...


" O seu mais leve olhar vai fazer ,
facilmente desabrochar
apesar de eu ter me fechado
como um punho cerrado,
você me abre sempre
pétala, por pétala
como a primavera abre
( tocando misteriosamente )
sua primeira rosa."

O que mais pode dar errado?



Não sei porque deixei tanta gente tomar conta da minha vida assim...e quando achei que poderia falar sempre,abrir meu coração sem medo de revelar aquilo que sentia, percebi o dissabor do julgamento e da incompreensão. Volto a pensar na verdadeira razão das pessoas perderem a fé umas nas outras. Será que é uma utopia lastimável acreditar que exista bondade de formas tão inusitadas, que podem trazer uma luz durante um período tão conturbado?

Minha não aceitação das coisas começa a tomar uma forma, que misturada a toda uma caminhada, revela-se tão discrepante que assusta,causa espanto... mas sou eu mesma,de sempre, tentando apenas achar um rumo certo pra mim mesma. Tomando as rédeas, aos poucos...

Fiquei chateada demais, eu sempre fico com as reações que não espero daqueles que eu amo. Por que achar que não tenho condições de tomar decisões que só competem a mim? Por que desconsiderar que posso ter meu livre arbítrio nas coisas e que tenho consciência dos resultados? Por que vou ter sempre alguém pra me dizer que não sou capaz?

São perguntas que meu coração faz, em momentos de não concordar com nada que vejo ao meu redor.

Também espero demais, faço de menos. Que importa agora! Bela ajuda pra quem já estava vacilante!

domingo, outubro 22, 2006

Paciência


Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer sabe vida é tão rara (Tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para(a vida não para não)

Será que é tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para(a vida não para não...a vida não para)

Lenine

Ando sem paciência,sem saco e sem graça...

sábado, outubro 21, 2006

Tormento



Tormento
Agonia, tristeza, dor em uma imensidão de caos interno
parte de um todo que se foi a deixar uma alma em solidão
Lágrimas de desespero
dor sem presença de chaga
ferida que não libera sangue
mas tormento de considerável força
Frustrante realidade fria e um coração distorcido em mágoa
em tristeza que leva à raiva
e raiva que leva ao ódio
Olhos que buscam uma razão
inundados por rios de lamento sem respostas
e sem rumo
pois do céu não cai o conforto...
Inconformável certeza de uma perda
dor de aparência infinita
agonia que açoita o núcleo da alma
como uma lança banhada em tristeza
Lembranças do que foi um dia
amanheçer em caloroso afeto
tão longe ao passar dos tempos
tão dolorosas lembranças
Um mundo vasto e frio girando em volta
sem descanso
mundo que faz lembrar momentos precursores de uma angústia
Questões que cruzam a mente
sobre um amanhã
incerto e turvo
glórias e alívios de alegria
ou trevas e infernal desesperança?

(por Fabio de Oliveira)

sexta-feira, outubro 20, 2006

Dia de Fúria


Atenção!

Se você viu uma mulher descompensada na 14 de julho com a Afonso Pena, às 14 h, não foi uma ilusão de ótica, era eu mesma!

quinta-feira, outubro 19, 2006

Choveu hoje...



Sair na chuva e deixar que tudo se resolva. Andar por aí sem qualquer medo de gripe ou pneumonia. Simplesmente sentindo as gotas caprichosas escorrerem pelo rosto. De repente, um pensamento incontido surge, uma vontade desesperada de chorar. Um convite que não se perde,de esconder na chuva toda a mágoa daquilo que não se pode ter.

terça-feira, outubro 17, 2006

Esquadros

Esquadros (1992)
Adriana Calcanhotto

Eu ando pelo mundo prestando atenção
Em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar Cores de Frida Kahlo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa
Filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome dos meninos que têm fome

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela(Quem é ela? Quem é ela?)
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde
Transito entre dois lados, de um lado
Eu gosto de opostos
Expondo meu modo, me mostro
Eu canto para quem?
Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
Minha alegria meu cansaço?
Meu amor, cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado .