domingo, outubro 29, 2006

As Três Velhas


Era uma vez três irmãs, todas as três jovens: uma tinha sessenta e sete anos, a outra setenta e cinco e a terceira noventa e quatro. Essas moças possuíam uma casa com um belo balcão, e este balcão tinha um buraco no meio, para ver as pessoas que passavam pela rua. A de noventa e quatro anos viu passar um lindo jovem; depressa, pegou seu lencinho mais fino e perfumado e, enquanto o jovem passava sob o balcão, deixou-o cair. O jovem recolheu o lencinho, sentiu aquele odor suave e pensou: " Deve ser de uma belíssima donzela". Deu alguns passos, voltou e tocou a campainha da casa. Uma das três irmãs veio abrir e o jovem lhe perguntou:
- Por favor, nesta casa reside uma moça?
- Sim, senhor, e não é só uma!
- Faça-me um favor: gostaria de ver a que perdeu este lenço.
- Não, sabe, não é permitido - respondeu ela - , nesta casa é costume não poder ver a mulher antes do casamento.
O jovem já se deixara envolver, imaginando a beleza daquela moça, e disse:
- Não faz diferença. Casarei com ela mesmo sem vê-la. Agora vou ter com minha mãe para lhe dizer que encontrei uma belíssima jovem e quero desposá-la.
Foi para casa e contou tudo à sua mãe, que lhe disse:
- Querido filho, pense bem no que faz, cuidado para não ser enganado. Antes de fazer uma coisa dessas é preciso pensar bem.
E ele:
- Para mim dá no mesmo. Palavra de rei não volta atrás. - Pois aquele jovem era um rei.
Volta à casa da noiva, toca a campainha e sobe.
Aparece a mesma velha e ele lhe pergunta:
- Só uma coisa, a senhora é a avó dela?
- Sim, sim: a avó dela.
- Já que é avó dela, faça-me este favor: mostre-me pelo menos um dedo daquela moça.
- Por enquanto não. é preciso que venha amanhã.
O jovem se despediu e foi embora. Assim que ele saiu, as velhas fabricaram um dedo falso, com um dedo de luva e uma unha postiça. Entretanto, roído pelo desejo de ver aquele dedo, ele não consegui dormir à noite. Amanheceu, vestiu-se, correu até a casa.
- Senhora- disse à velha - , estou aqui: vim para ver o dedo de minha noiva.
- Sim, sim - disse ela - , já, já. Poderá vê-lo por este buraco da porta.
E a noiva exibiu o dedo falso pela fechadura. O jovem viu que era um belíssimo dedo; deu-lhe um beijo e colocou nele um anel de diamantes. Depois, loucamente apaixonado, disse à velha:
- Vovó, fique sabendo que desejo casar o mais breve possível, não posso mais esperar.
E ela:
- Amanhã mesmo, se quiser.
- Muito bem! Caso amanhã, palavra de rei!
Ricos como eram, podiam providenciar as núpcias de um dia para o outro, já que não lhes faltava nada; e no dia seguinte a noiva se preparava com a ajuda de suas duas irmãzinhas. O rei chegou e disse:
- Vovó, estou aqui.
- Espere aqui um momento, que já vamos trazê-la.
As duas velhas vieram conduzindo a terceira pelo braço, coberta por sete véus.
- Lembre-se bem - disseram ao noivo - , até chegar ao quarto nupcial, não é permitido vê-la.
Foram à igreja e casaram-se. Depois o rei queria que participassem de um banquete, mas as velhas não permitiram.
- Sabe, a noiva não está habituada a estas coisas.
E o rei teve que calar-se. Não via a hora que chegasse a noite, para ficar sozinho com a esposa. Mas as velhas acompanharam a mulher até o quarto e não o deixaram entrar porque tinham que despi-la e colocá-la na cama. Finalmente ele entrou, sempre com as duas velhas atrás, e a esposa estava debaixo das cobertas. Ele se despiu e as velhas foram embora levando o candeeiro. Mas ele trouxera uma vela no bolso, acendeu-a e quem encontrou pela frente?
Uma velha decrépita e enrugada!
A princípio, ficou imóvel e sem palavras devido ao susto; depois, foi tomado de uma raiva tão grande, que agarrou a mulher com violência, levantou-a e a fez voar pela janela.
Sob a janela havia uma pérgola de uma vinha. A velha arrebentou a pérgola e ficou pendurada num pau pela fímbria da camisola.
Naquela noite, três fadas passeavam pelos jardins: passando sob a pérgola, viram a velha balançando. Diante de tal espetáculo inesperado, todas as três fadas explodiram em risos, tanto que no final sentiram a barriga doer. Mas, quando pararam de rir, uma delas disse:
- Agora que rimos tanto às suas custas, temos que lhe dar uma recompensa.
E uma das fadas adiantou-se:
- Claro que vamos lhe dar. Ordeno, ordeno que você se torne a mais bela jovem que se possa ver com dois olhos.
- Ordeno, ordeno - disse a outra fada - que você tenha um belíssimo marido que a ame e proteja.
- Ordeno, ordeno - disse a terceira - que você seja uma grande senhora por toda a vida.
E as três fadas foram embora.
Assim que clareou, o rei despertou e se lembrou de tudo. Para certificar-se de que tudo não havia passado de sonho horrível, abriu as janelas para ver aquele monstro que havia jogado lá embaixo na noite anterior. E eis que vê, apoiada na pérgola da vinha, uma belíssima jovem. Pôs as mãos na cabeça.
- Coitado de mim, o que fiz!
Não sabia como fazer para trazê-la para cima; por fim, pegou um lençol da cama, jogou-lhe uma ponta para que pudesse agarrar e a puxou para o aposento. E quando a teve ao seu lado, feliz e ao mesmo tempo cheio de remorsos, começou a lhe pedir perdão. A esposa o perdoou e assim passaram a entender-se muito bem.
Depois de algum tempo ouviu bater.
- É a vovó - disse o rei. - Entre, entre!
A velha entrou e viu na cama, no lugar da irmã de noventa e quatro anos, aquela belíssima jovem. E essa belíssima jovem, como se não houvesse acontecido nada, disse-lhe:
- Mas como é que você se tornou assim tão jovem?
E a mulher:
- Silêncio, silêncio, por caridade! Se soubesse o que fiz! Deixei que me aplainassem!
- O marceneiro!
A velha voou até o marceneiro.
- Marceneiro, poderia me dar uma aplainada?
E o marceneiro:
- Oh, por Deus! Certo que a senhora é magra como uma tábua, mas se eu a aplainar, vai direto para o outro mundo.
- Nem pense nisso, senhor.
- Como: não penso? E depois que eu a tiver matado?
- Não pense nisso. Dou-lhe uma moeda de ouro.
Quando ouviu a palavra " ouro " , o marceneiro mudou de idéia. Pegou a moeda e disse:
- Deite-se aqui no banco que aplaino quantas vezes quiser. - E começou a aplainar uma bochecha.
A velha deu um berro.
- Como é que é ? Se gritar, não fazemos nada.
Ela se virou para o outro lado, e o marceneiro lhe aplainou a outra bochecha. A velha não gritou mais, estava morta.
Da outra nunca se soube que fim levou. Se foi sufocada, degolada, morta em sua cama ou quem sabe onde: não se pode saber.
E a mulher ficou sozinha em casa com o jovem rei, e foram felizes para sempre.

sexta-feira, outubro 27, 2006

The end




Na minha adolescência eu era alucinada por The Doors...tinha aqueles posters na parede do quarto e o Jim Morrison com aquele olhar lisérgico no meu caderno.Poderia ouvir as músicas sem enjoar, 20 vezes e ainda tinha a mania besta de achar que só eu poderia conhecer algo tão bom como o The Doors. Em todos os lugares, só se ouvia música sertaneja,meus amigos, minha família e achava-me um peixe fora d'água. Mas tudo bem,um dia eu conheci uma pessoa que gostava, e que até dividiu seu walkman comigo. Eu comecei a escutar "Light My Fire" e levei a sério demais... Que besteira! Hoje não tenho os mesmos interesses, passei tanta coisa e não tenho aquela ingenuidade. Ainda bem...transformar é evoluir de certa maneira. E sabe o que sobrou do The Doors hoje,no meu pensamento:


The End

" This is the end
Este é o fim
Beautiful friend
Belo amigo
This is the end
Este é o fim
My only friend, the end
Meu único amigo, o fim
Of our elaborate plans, the end
Dos nossos planos elaborados, o fim
Of everything that stands, the end
de tudo que permanece, o fim
No safety or surprise, the end
Sem salvação ou surpresas, o fim
I'll never look into your eyes...again
Eu nunca olharei em seus olhos ... novamente "
Jim Morrison
Aquilo que se vive intensamente, não se vai assim de uma hora para a outra. É algo que foi constantemente relegado, abandonado ou desmerecido num período insano. Onde as responsabilidades são divididas e fielmente distribuídas. Pego a minha, não vou aumentar a medida, mas também não tenho vontade de refazer, reconstruir ou repensar...This is the end, pra mim!

quarta-feira, outubro 25, 2006

Fale com Ela


A primeira vez que assisti este filme, achei um tanto melancólico e trágico. Que bom ter uma segunda chance e perceber que na verdade é um filme encantador.
Tudo é uma questão de momento.
Talvez não seja tão surreal, acredito ser possível acontecer um amor assim. Pois esse sentimento não navega nas águas da certeza. É imprevisível e nunca poderemos saber quando e porque surge...ou acaba...

terça-feira, outubro 24, 2006

País das Maravilhas


Queria achar um coelho maluco, como o da Alice do País das Maravilhas!
Ele sempre me irritou, porque fala do tempo.
E odeio ver o tempo passar, insosso e querendo me atropelar. Igual o maldito coelho!
Eu não machucaria ele,nem faria nenhuma maldade, mas seguraria no pescoço e diria:
-Pára!!! Não me lembre de tudo aquilo que não fiz! Não me lembre que o tempo passou mais rápido do que tudo aquilo que eu poderia realizar! Vem aqui... vamos tomar um chá e comer uns bolinhos de chuva...
Mesmo esperneando,eu não o soltaria até se acalmar.
Vendo que eu não daria chance, acabava sentando. Por que sou persistente.
E assim,de alguma maneira tomaria conta dele. Pelo menos não me irritaria. Compreenderia melhor, que no fundo ele me avisa:
-É tarde! É tarde! Ai, ai meu Deus!
Não é tarde pra mim. Eu tenho que ver outras coisas, conhecer outras paisagens e sabores.
Tanto ainda, que tenho que começar logo. Fazer meu paraíso interno vir a tona. Depois disso, o tempo, as frustrações e mágoas não terão o menor sentido...
Estou fazendo as pazes comigo, já é um bom começo!

segunda-feira, outubro 23, 2006

Uma madrugada...


" O seu mais leve olhar vai fazer ,
facilmente desabrochar
apesar de eu ter me fechado
como um punho cerrado,
você me abre sempre
pétala, por pétala
como a primavera abre
( tocando misteriosamente )
sua primeira rosa."

O que mais pode dar errado?



Não sei porque deixei tanta gente tomar conta da minha vida assim...e quando achei que poderia falar sempre,abrir meu coração sem medo de revelar aquilo que sentia, percebi o dissabor do julgamento e da incompreensão. Volto a pensar na verdadeira razão das pessoas perderem a fé umas nas outras. Será que é uma utopia lastimável acreditar que exista bondade de formas tão inusitadas, que podem trazer uma luz durante um período tão conturbado?

Minha não aceitação das coisas começa a tomar uma forma, que misturada a toda uma caminhada, revela-se tão discrepante que assusta,causa espanto... mas sou eu mesma,de sempre, tentando apenas achar um rumo certo pra mim mesma. Tomando as rédeas, aos poucos...

Fiquei chateada demais, eu sempre fico com as reações que não espero daqueles que eu amo. Por que achar que não tenho condições de tomar decisões que só competem a mim? Por que desconsiderar que posso ter meu livre arbítrio nas coisas e que tenho consciência dos resultados? Por que vou ter sempre alguém pra me dizer que não sou capaz?

São perguntas que meu coração faz, em momentos de não concordar com nada que vejo ao meu redor.

Também espero demais, faço de menos. Que importa agora! Bela ajuda pra quem já estava vacilante!

domingo, outubro 22, 2006

Paciência


Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer sabe vida é tão rara (Tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para(a vida não para não)

Será que é tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para(a vida não para não...a vida não para)

Lenine

Ando sem paciência,sem saco e sem graça...

sábado, outubro 21, 2006

Tormento



Tormento
Agonia, tristeza, dor em uma imensidão de caos interno
parte de um todo que se foi a deixar uma alma em solidão
Lágrimas de desespero
dor sem presença de chaga
ferida que não libera sangue
mas tormento de considerável força
Frustrante realidade fria e um coração distorcido em mágoa
em tristeza que leva à raiva
e raiva que leva ao ódio
Olhos que buscam uma razão
inundados por rios de lamento sem respostas
e sem rumo
pois do céu não cai o conforto...
Inconformável certeza de uma perda
dor de aparência infinita
agonia que açoita o núcleo da alma
como uma lança banhada em tristeza
Lembranças do que foi um dia
amanheçer em caloroso afeto
tão longe ao passar dos tempos
tão dolorosas lembranças
Um mundo vasto e frio girando em volta
sem descanso
mundo que faz lembrar momentos precursores de uma angústia
Questões que cruzam a mente
sobre um amanhã
incerto e turvo
glórias e alívios de alegria
ou trevas e infernal desesperança?

(por Fabio de Oliveira)

sexta-feira, outubro 20, 2006

Dia de Fúria


Atenção!

Se você viu uma mulher descompensada na 14 de julho com a Afonso Pena, às 14 h, não foi uma ilusão de ótica, era eu mesma!

quinta-feira, outubro 19, 2006

Choveu hoje...



Sair na chuva e deixar que tudo se resolva. Andar por aí sem qualquer medo de gripe ou pneumonia. Simplesmente sentindo as gotas caprichosas escorrerem pelo rosto. De repente, um pensamento incontido surge, uma vontade desesperada de chorar. Um convite que não se perde,de esconder na chuva toda a mágoa daquilo que não se pode ter.

terça-feira, outubro 17, 2006

Esquadros

Esquadros (1992)
Adriana Calcanhotto

Eu ando pelo mundo prestando atenção
Em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar Cores de Frida Kahlo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa
Filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome dos meninos que têm fome

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela(Quem é ela? Quem é ela?)
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde
Transito entre dois lados, de um lado
Eu gosto de opostos
Expondo meu modo, me mostro
Eu canto para quem?
Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
Minha alegria meu cansaço?
Meu amor, cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado .

Cidade dos Anjos

Como seria possível viver uma existência inteira sucumbindo o amor? Trazê-lo amarrado e escondido num recipiente lacrado e enterrado num labirinto de razões, humilhações e abandono?
Tantas são as razões para nossa volta aqui na Terra, espiações, aprendizagens e ações para iluminar a vida de todos que nos cercam...mas resolvi que minha " Caixa de Pandora" estava abarrotada, que eu não tinha condições de deixá-la trancada e o laço de repente se partiu...
Ainda vejo meus demônios sairem, mas eles vão embora. A Culpa e o Medo, ah, esses parecem encantados por mim...
Vou ter que apressar a Esperança, que ainda bate lá no fundo da caixa, pelo menos eu já sei que ela está lá. Mas ela também não deixa de ser cruel, porque ela tem seu tempo, e o tempo é incerto...
Agora, não devo esquecer que o demônio Solidão me disse adeus, porque sempre há anjos a nos protegerem. Eu descobri que tenho o meu, longe, belo e terno, a dizer que " A Vida é Bela!", apesar de tudo aquilo que não é possível, tocou uma melodia, acalmou todos os demônios,mas me avisou: " É a sua vez,não desista de seus sonhos e principalmente de você!"
E desistir de si próprio é algo que pode ser muito mais cruel que a morte, porque é a morte em vida!

domingo, outubro 15, 2006

Professoras!!!


Primeiro dia de aula. Choro. Confusão. Uma mãe que não quer partir, uma criança que não quer ficar e uma professora...Como ter a ousadia de entrar naquele círculo afetivo tão intenso?
Com calma, serenidade, esta pessoa se posiciona, envolve aquela criança com possibilidades que até então ela não havia tido, ou conhecido. Dá segurança, carinho e faz com que estar fora de casa seja uma grande aventura recheada de novidades, de risos e de saberes.
E esta fada, esta professora, afasta a dor de uma mordida, afaga diante do medo, incentiva as tentativas, administra conflitos e faz com que uma briga, uma ofensa seja compreendida, seja evitada pelo simples fato de que devemos respeitar uns aos outros, que nossa vontade não é soberana. E ainda deve estar atenta a reconhecer e valorizar as conquistas de cada um, sem esquecer de dar as mãos aos mais inseguros, aos que tem um ritmo diferente, aos que tem limitações físicas, mentais. Lembrar que não possuí ainda assim o saber absoluto, e sendo assim, precisa saber de tudo o que acontece ao seu redor, nas literaturas no mundo que se movimenta e se transforma numa velocidade arrasadora.
Mas ainda tem o afeto, esse ingrediente mágico e necessário. Com o olhar, ponderar, refletir e fazer daquela criança seu amigo, amiga.
E como um arco-íris que surge no céu, avisando que a vida sem o novo, sem o inusitado e sem o conhecimento, é banal, é sem perspectivas e sem beleza, o aprender ocorre, a cada instante.
E os dias passam num encontro mágico, cheio de melodias e descobertas...Até a partida. Porque a cada ano tudo recomeça, tudo exige estudo, esforço, criatividade, bom senso, sensibilidade, dedicação e renovação de conceitos.
Espero que cada dia, nasça uma professora. E que ao nascer seus olhos vislumbrem a possibilidade de ensinar valores e saberes com alegria, com orgulho desta profissão e com a noção exata de sua responsabilidade diante de uma pessoa que deseja aprender.
Parabéns a todos que educam!!!

quinta-feira, outubro 12, 2006

Dia das Crianças




Nesta semana, os canais infantis da tv a cabo estavam todos abertos.Quanta bondade! É claro que sem nenhum interesse de mídia...bombardearam os intervalos com todo tipo de brinquedos que se possa imaginar. Meus filhos não seriam diferentes, ficaram doidos pelas novidades, mas querer não é poder e sem chance de comprar a Miracle Baby e a pista Hot Wheels, que somando dariam a bagatela de 800 reais! Conversei com as crianças e consegui convencê-los a não esperar por brinquedos tão caros. E depois de 7 anos, tive a grande idéia de não levá-los para comprar o presente. Sábia decisão! Pois o que me esperava foi estarrecedor...uma visão do inferno!
Fui até ao shopping. Essa foi uma idéia tola, pois não havia me lembrado que quando há um feriado, o pessoal do interior do Estado loca ônibus e vem de caravana passear no shopping. Começa aí a tragédia... Onde se olhava havia uma fila, fila pra tudo!
Mas eu estava calma...fui até a Ri Happy e era ridículo ver tanta criança se jogando no chão como um pião doido, rodopiando no mínimo espaço da loja, e os pais atônitos observando a performance dos filhos. Pensei: " Olha do que me livrei..." A fila da loja se dividia em três, longas, demoradas e desorganizadas. Adeus maletinha Hot Whells ( que só achei lá), fui para outra loja, mas nada diferente, os mesmos piões, as mesmas caras de tacho e as filas. E olhei para a livraria...vazia, sem fila. Que triste, mas tudo bem. Afinal é toda uma cultura, nem meus filhos iriam querer apenas (apenas?) livros...
E lembrei que estava com fome. E um MilkShake do Bob's sem ninguém pra me lembrar das "trocentas" calorias foi minha escolha. Na fila, lógico, observava a indecisão de quem estava sendo atendido, mas ainda estava calma...até que chegou minha vez...muito tempo depois...e acabou o Ovomaltine. Aí sim eu fiquei brava! Bem na minha vez! Mas já que estava lá e fazer o número do pião doido na minha idade seria camisa de força na certa, resolvi pegar o que tinha, mas o médio, em protesto!
Basta! Fui embora...de mãos vazias...E quando abri a porta de casa os anjos vieram correndo me perguntar:
- Cadê mãe?!
- A mamãe teve uma idéia. Vamos comer sobá na feira e vocês me ajudam a escolher uma lembrancinha de dia das crianças.
- Oba!
Na feira, aquele festival Made in China...
Mas eis que minha filha avista uma maletinha de artes. E agarra-se nela como se fosse um pequeno tesouro.
- Mãe esse pode? É fora do orçamento?
- Não esse está no " orçamento"...
Pedro logo viu um Power Ranger Verde e se contentou com ele. Mas tadinho, levou também uma sacola cheia de dinossauros.
Assim o saldo de presentes deu apenas 30 reais. Vamos presentear os primos então.
E foi uma festa escolher presentes para DAR para os primos. Uma alegria!
E no dia das crianças, a sala cheia de obras de artes e eu tropeçando ( e fincando o pé nos chifres do bendito Tricerátops), e o Power Ranger tirando uma fina do meu nariz ( pois ele estava voando de um lado para o outro para salvar o Estegossauro).
Bom...assim foi mais um dia das crianças...Parabéns para todas e não tiranizem seus pais!

Caçador de mim


Caçador de Mim
Milton Nascimento
Composição: Luís Carlos Sá e Sérgio Magrão


Por tanto amor

Por tanta emoção

A vida me fez assim

Doce ou atroz

Manso ou feroz

Eu caçador de mim

Preso a canções

Entregue a paixões

Que nunca tiveram fim

Vou me encontrar

Longe do meu lugar

Eu, caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta

Nada a fazer senão esquecer o medo

Abrir o peito a força, numa procura

Fugir as armadilhas da mata escura

Longe se vai

Sonhando demais

Mas onde se chega assim

Vou descobrir o que me faz sentir

Eu, caçador de mim

terça-feira, outubro 10, 2006

Uma forcinha

Quando temos muitas coisas a fazer, parece incrível a quantidade de nãos que surgem. Não dá. Não posso. Não quero. Não é comigo.Não me aborreça. Não tenho tempo.Não me incomode.
Mas num dia como o de hoje, eu recebi mais do que esperava. E veja só, como seria possível descrever isso? Uma vitória. Um ponto a mais. Nada disso. Cada acontecimento tem sua importância particular. Um milhão de sorrisos, um tanto de beijos, a gritaria das crianças ou apenas o silêncio diante de um bolo tão bonito.
-Posso comer?
-Posso brincar?
-Posso pular?
-Posso dançar?
-Posso pegar?
-Posso molhar mesmo?
-Afinal? Posso ser criança?
Seria simples deixar tudo na minha memória, guardar com sete chaves...mas não dá. Eu não consigo.
Eu posso ir dormir com a sensação boa do sim, meu sim pessoal que me diz que fiz tudo ao meu alcance e não haverá ofensa, mal dizer ou hipocrisia que vá me fazer curvar diante da minha imensa alegria de colher frutos tão belos.
Além disso, desta vez ao voltar pra casa,não vim acompanhada de solidão, de gosto de amargura ou pior, daquele vazio que eu nem sei porque eu permito deixar em meu peito, eu vim com o coração levinho, um sorriso bem maroto e ,confesso, ao olhar pra dentro de mim, senti que estou viva e a vida é algo que eu amo,sendo assim,viver com mais dignidade deverá ser minha incansável busca. E o Não ,esse já ficou pra trás,revestido de total desprezo.

domingo, outubro 08, 2006

Meu caminhar


Acordei de um sono profundo, quase mórbido. E quando enfim abri meus olhos, percebi que estava sozinha.
Deixei pelo caminho sentimentos e pessoas. Olhei ao redor e só restou a solidão. Poderia ter ficado horas, dias ou uma vida inteira ao largo da minha estrada, vendo tudo indo, indo embora. Mas quando percebi que os meus sonhos e desejos estavam partindo, não pude ficar. Coloquei-me a caminho. Quanto mais tudo se distanciava, mais eu corria. Talvez ainda pare para tomar um fôlego, para aliviar as faltas e repensar a tragetória. Mas tenho ânimo, esperança e meus olhos bem atentos a tudo o que posso observar no caminho. Cada sutileza, cada mão a me acenar, cada sorriso que recebo ainda faz a diferença. Parei de culpar os outros pela minha própria fraqueza e assim livrei-me de muito peso e muita coisa inútil. Não sei nunca o que me espera, ainda me irrito ou me assusto com as surpresas, mas quem sabe elas não me fortaleçam a cada dia. Hoje vou seguir e espero que encontre tudo aquilo que mais desejo, ser apenas feliz. No fim mesmo, tenho aquilo que mereço,pois sou a única responsável pelo meu caminhar.

sábado, outubro 07, 2006

Tocando em Frente


Gosto muito das músicas do Almir Sater. Seus shows são raros por aqui, infelizmente...Hoje haverá um no Palácio Popular da Cultura e não dá para perder. Tomara que eu não precise ir sozinha...

Tocando em Frente

Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou nada sei..
Conhecer as manhas e as manhãs o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Penso que cumpri a vida
seja simplesmente compreender a marcha
ir tocando em frente
como um velho boiadeiro
levando a boiada
eu vou tocando os dias
pela longa estrada eu vou, estrada eu sou
Conhecer as manhas e as manhãs
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega no outro vai embora
cada um de nós compõe a sua história
cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz
Conhecer as manhas e as manhãs
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Ando devagar porque já tive pressa
levo esse sorriso porque já chorei demais
cada um de nós compõe a sua história
cada ser em si carrega o dom de ser capaz
de ser feliz.
Composição: Almir Sater e Renato Teixeira

Procurando um palhaço!


Não imaginava o quanto seria difícil encontrar um palhaço. Procurei, fui atrás e nada. Encontra-se apenas pseudos palhaços, que de engraçados não têm nada. Piadas de mal gosto, apelidos que ofedem e uma postura totalmente avessa da alegria, do riso e da fantasia infantil.
Ah...que saudade do Carequinha, que deve revirar-se no túmulo com esses infelizes que acreditam que para fazer uma criança sorrir, qualquer besteira serve.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Música Celta


COME BY THE HILLS
Venha pelos montes, para onde a fantasia é livre
E permaneça onde os picos tocam o céu e as rochas encontram o mar
Onde os rios correm livres e a água é dourada no sol
E as preocupações de amanhã devem esperar até esse dia acabar
Venha pelos montes para onde a vida é uma música
E canta enquanto os pássaros enchem o ar com a sua alegria durante todo o dia
Onde as árvores balançam no compassso e até o vento cantam na melodia
E as preocupações de amanhã devem esperar até esse dia acabar
Venha pelos montes para a terra onde as lendas continuam vivas
Onde as histórias do velho agitam o coração e talvez ainda voltem novamente
Onde o passado foi perdido e o futuro ainda será ganhado
E as preocupações de amanhã devem esperar até esse dia acabar
Venha pelos montes, para onde a fantasia é livre
E permaneça onde os picos tocam o céu e as rochas encontram o mar
Onde os rios correm livres e a água é dourada no sol
E as preocupações de amanhã devem esperar até esse dia acabar
Loreena Mckennett

terça-feira, outubro 03, 2006

Yellow

Além dos Sentidos


Estranho como certas ocasiões nossos sonhos possam ser tão intensos, bonitos e reveladores. Desde criança em minha família tínhamos o costume de contar no café da manhã aquilo que havíamos sonhado. Pena hoje em dia eu não o faça mais...
Eu estava num lugar de extrema paz, perto de uma nascente e ocupada com um caderno de anotações. Parecia ter que escrever algo muito importante, mas não estava conseguindo. Ou se escrevia, logo que eu olhava desaparecia o que eu havia feito. E fui percebendo que começava a escurecer...como eu poderia terminar aquilo que era para eu fazer? Então apareceu uma figura muito familiar e querida e logo foi dizendo que eu tinha que parar de prestar atenção no escuro que nem havia chegado, e começar a escrever. Eu fiquei um pouco chateada e com certa vergonha perguntei:
- Mas afinal, o que tenho que escrever aqui?
- Escreva tudo aquilo que você deseja aos que você ama. Amanhã você terá que voltar, e depois e depois.
- Nossa, mas vou me cansar! E o que pode acontecer se eu esquecer ou não souber o caminho para vir até aqui?
- Olhe bem à sua volta.
Quando eu olhei para os lados, eu pude perceber que conhecia bem aquele lugar e senti que estava perto da casa da minha mãe. E fui andando na beirada do riacho e vendo muitas pessoas conhecidas. Todas com tanta alegria no olhar que me senti verdadeiramente feliz e segura. Então eu virei para esta pessoa que me acompanhava e disse:
- Eu não tenho a intenção de desejar nada além da paz nos corações de quem eu amo, pois ela é no fundo o resultado de todas as coisas boas que lhes possam acontecer.
- Nesse caso, esqueça seu caderno. Isso era apenas um símbolo. Você tem dificuldade com coisas sutis.
- Tenho vontade de ficar aqui.
- Venha quantas vezes você quiser. Mas não esqueça, traga coisas boas senão, não conseguirá achar o caminho.
Fiquei mais um tempo e quando olhei para cima, já havia caído a noite. Mas onde estava, havia claridade e comecei a rir de mim mesma. Do medo que havia sentido em ficar no escuro e de não saber o que tinha que fazer com aquele bendito caderno.
Acordei com a sensação que tudo havia acontecido realmente e quase não parava de pensar como gostei do passeio noturno que fiz...
Que pena que eu não faço análise, seria um prato cheio...

segunda-feira, outubro 02, 2006

domingo, outubro 01, 2006

Encantamentos

Eu poderia pensar em muitas coisas para descrever ou registrarcomo sendo meus encantamentos, mas num momento onde a mente viaja em emoções, só posso resumir assim:
Mensagens...com o corpo, com a pele, com a alma.
Toques...suaves, intensos e precisos.
Beijos...ardentes, saborosos e macios.
Abraços...envolventes, seguros e contínuos.
Amor..renascer e transformar...sempre!

sexta-feira, setembro 29, 2006

As Mil e Uma Noites...



O rei persa Shariar, vitimado pela infidelidade de sua mulher, mandou matá-la e resolveu passar cada noite com uma esposa diferente, que mandava degolar na manhã seguinte. Recebendo como mulher a Sherazade, esta iniciou um conto que despertou o interesse do rei em ouvir-lhe a continuação na noite seguinte. Sherazade, por artificiosa ligação dos seus contos, conseguiu encantar o monarca por mil e uma noites e foi poupada da morte.
A história conta que, durante três anos, moças eram sacrificadas pelo rei, até que já não havia mais virgens no reino, e o vizir não sabia mais o que fazer para atender o desejo do rei. Foi quando uma de suas filhas, Sherazade, pediu-lhe que a levasse como noiva do rei, pois sabia um estratagema para escapar ao triste fim que a esperava. A princesa, após ser possuída pelo rei, começa a contar a extraordinária "História do Mercador e do Efrit", mas, antes que a manhã rompesse, ela parava seu relato, deixando um clima de suspense, só dando continuidade à narrativa na manhã seguinte. Assim, Sherazade conseguiu sobreviver, graças à sua palavra sábia e à curiosidade do rei. Ao fim desse tempo, ela já havia tido três filhos e, na milésima primeira noite, pede ao rei que a poupe, por amor às crianças. O rei finalmente responde que lhe perdoaria, sobretudo pela dignidade de Sherazade.

Fica então a metáfora traduzida por Sherazade: a liberdade se conquista com o exercício da criatividade.

All Star



All Star
Cássia Eller
Composição: Nando Reis
Estranho seria se eu não me apaixonasse por você
O sal viria doce para os novos lábios
Colombo procurou as Índias
Mas a terra avisto em você
O som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário
Estranho é gostar tanto do seu all star azul
Estranho é pensar que o bairro das Laranjeiras
Satisfeito sorri quando chego ali
E entro no elevador
Aperto o 12 que é o seu andar
Não vejo a hora de te encontrar
E continuar aquela conversa
Que não terminamos ontem
Ficou pra hoje
Estranho mas já me sinto como um velho amigo seu
Seu all star azul combina com meu preto de cano alto
Se o homem já pisou na lua
Como ainda não tenho seu endereço?
O tom que eu canto as minhas músicas pra tua voz
Parece exato
Estranho é gostar tanto do seu all star azul...
Escutei tanto essa música nesta semana...que passou tão rápida! É sempre assim quando temos muitas coisas para fazer. E muitas vezes no meio da correria, temos momentos lindos. Hoje eu tive muitos. Mas guardarei em meu coração.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Celeuma da Beterraba


A cara feia pro prato:
-Eu não quero esse vermelho!
-Nem eu!
-Experimenta...
-É mais ou menos gostoso.
-É doce!
-É mesmo! Quero mais!
Muitas colheradas depois...
-Eu já comia, você quem não fez mais...
-Por que chama beterraba?
-Não faço idéia.
-Beta-caroteno.
-Importante é que faz bem, é gostoso.
Muitas horas depois no banheiro...
-Socorro! Mãe!
-O que foi?!
-Meu cocô tá doente!
-Como??!!
-Olha mãe, tá vermelhinho.
-Ah, é a beterraba.
-Ela fez meu cocô ficar doente?
-Não, ela só deu um colorido...
-Que legal! Vou comer todo dia! Assim ficou mais bonitinho...
-Ah...com certeza...

Paisagem


Havia uma paisagem, pela minha janela num descampado, perto da minha casa. Eu poderia ficar horas olhando para aquela direção. Para variar eu escutava música e olhava pra lá. Pelo canto do olho, junto com meus livros, eu espiava. Como se eu também fosse observada. Era um flerte. Eu sabia no decorrer do ano como tudo se transformaria. A árvore sempre sozinha,mas era a minha preferida. Chegando na casa da minha mãe, tudo mudou muito. Eu também, graças a Deus! Mas num relance eu procurei por ela, mas foi necessário andar muitas quadras para achar minha paisagem. Mas ela estava lá. E senti que poderia ter ela dentro de mim a qualquer momento,pois tudo que amo, não some, não menosprezo e não esqueço. Uma hora ou outra eu vou de encontro. É tão bom reencontrar, aquilo que se ama.

Mágoa


Vinha trazendo no coração uma mágoa antiga que só fazia doer. Não sabia o que fazer com ela. E como apertava... E como doía... Ficava ela ali no canto esquerdo, bem quieta. Dava os ares de sua graça nas horas mais impensáveis. E como manchava... E como mexia... Pulava no peito como bola desgovernada que desce a ladeira sem olhar para os lados. Queria esquecê-la. Queria traí-la. Trancá-la lá fora sem pena da chuva. Deixando-a molhar como pano de porta, que sem borda aos poucos se encharca. Queria poder juntá-la com as mãos e com desespero de marujo perdido, arrancá-la para fora do barco. Deixá-la à deriva em companhia das ondas. Ela que se salvasse. Que se afogasse lentamente na imensidão fria dos mares. De longe eu acenaria em meu iate invencível, lamentando por não ter feito isso há mais tempo. Feliz por ter extirpado todo o tumor. Chegaria em casa tranqüila, talvez cansada da viagem. Tomaria uma Novalgina e iria cheia de graça pra cama. Sonharia com cores impossíveis e palavras ainda perdidas. Acordaria plena. Descansada. Completamente feliz. Escreveria meus versos roubados do invisível e ouviria os sons capturados do mundo. Prosseguiria vivendo a procura do irreal e do permitido. E seria feliz se não fosse a falta que se alojaria no peito clamando pela mágoa uma vez perdida, a reclamar junto com a lua sua ausência.
Alice Ventura

quarta-feira, setembro 27, 2006

Parada Cardíaca

Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem quem segure,
vem de dentro.
Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.
Paulo Leminski

Humor do mal


Não sei de onde veio tanta marra hoje...mal humor puro. Nem tenho vontade de conversar, pois eu iria reclamar de tudo. Tenho muito para fazer, poderia estar "aproveitando" o tempo. Mas sinto que preciso de um fôlego, parar um pouquinho e aprender que não devo querer abraçar o mundo de uma só vez.

segunda-feira, setembro 25, 2006

O chamado de Samara...


Eu sou corajosa. Sempre assisti os filmes de terror sem problemas de dormir depois. Até a Samara aparecer na tela...Essa figura estragou todo o meu desejo de querer assistir filmes de suspense ou terror. Foi pura falta de sorte.
Por um momento do filme eu até pensei que ela fosse do bem, tadinha...mas não é que a pentelhinha queria mesmo é vingar-se de todo mundo?!
Tudo bem. Mas o terror veio depois...
Eu virava na cama...e via a Samara. Fechava os olhos...e lá estava a Samara. Dormi e quase tive um troço, ela assombrando de novo! Bom, por fim resolvi, meio sem jeito rezar pra essa pobre alma penada ficar em paz. Pra ter a certeza que não ia ter recaída assisti O Chamado 2, sozinha, no escuro e tarde da noite. Resultado patético, na hora que a Samara apareceu, desliguei a tv e saí correndo...bem corajosa. Enfiei a cabeça embaixo do edredon, e decidi...Samara vai assustar outra!

sexta-feira, setembro 22, 2006

Pegadas pela casa

Havia acabado de limpar a cozinha. Aquele cheirinho bom de limpeza. O sonho dourado da Dona de Casa! Ver tudo muito arrumado, cheiroso e enfeitado. Então,como merecido prêmio, um bom banho para relaxar...
Eis que ao retornar, reparo na sala vestígios de bagunça,desordem e ... pegadas no chão!
Fui seguindo, já ouvindo as risadinhas que vinham da área de serviço:
- Não adianta esconder! Eu já vi o que vocês fizeram! Venham aqui!
Então, com as carinhas mais levadas do mundo:
-Mãe! Você viu as "pisadas" que a gente deixou?!
-Sim, eu vi. Desde de lá da sala.Por que fizeram isso?
-Ah, mãe! Era pra ficar mais fácil pra você encontrar a gente...
Eu tive que rir. Mas não deixei de levar meus gênios da bagunça pra ajudarem a tirar as pegadas...

Wonderwall


Se eu fosse colocar uma trilha sonora no meu dia seria esta música do Oasis. Gosto muito de ouví-la, e no dia de hoje escutei sentindo uma culpa tremenda de ter perdido as estribeiras.
E não é que pensando bem...

"I said maybe
You're gonna be the one that saves me,
that saves me... that saves me..."

quarta-feira, setembro 20, 2006

Um lugar especial


A simplicidade deste lugar muitas vezes não revela, num primeiro momento o quanto pode ser especial.
Recebi das mãos de uma grande amiga a incumbência de coordenar este local. A princípio pensei que seria impossível, que não conseguiria dar continuidade ao lindo trabalho que ela começou. Mas aceitei, muito incentivada por todos que acompanham meu trabalho na outra escola. Então, foi um choque, lidar com a falta, com a ausência, o abandono, o abuso, com o despreparo das pessoas e o medo do novo. Hoje vejo como tudo isso tem uma proporção mínima, muito restrita de tudo que envolve este lugar. Escuto as crianças rindo, fazendo bagunça no parque, a sala com os livros na mesa, os jogos coloridos e uma paz indescritível ao entrar em cada lugar. Os problemas existem, no entanto vejo o quanto evoluimos como pessoas, quantas coisas superamos e como somos importantes na vida de cada um. E meu trabalho?Como é interessante! Escutar as pessoas, ter sensibilidade e firmesa na tomada de atitudes, contornar situações adversas, arejar as mentes mais fechadas,resolver os conflitos e vaidades internas e ter muito, muito compromisso com as crianças. E pedir ajuda, saber que não é possível abraçar o mundo, e com humildade é possível crescer muito mais. Precisamos de voluntários sempre, de pessoas que tenham compromisso e disposição para doar-se. Desde que comecei trabalhar neste local,sinto que é possível amar as pessoas muito mais pelas atitudes, pela maneira dedicada e caridosa de cada pessoa ao dispor seu tempo à uma boa causa, um bom combate. Espero ter mais voluntários que saibam o valor de um sorriso, um abraço ou um olhar de uma criança. É só começar...

Irmãs ...quase gêmeas!!! E duras de aguentar.


É difícil para os pobres mortais terem o prazer de participar de um diálogo conosco, pois com mentes tão brilhantes quanto as nossas, impossível entender o que estamos debatendo. Isso porque sabemos nos comunicar de maneira muito peculiar e até engraçada,daquele jeito em que só os grandes companheiros de jornada se comunicam...com sentimento, com a alma, olhares e até pensamentos. É claro que nem sempre é poético, por que é cômico, atrapalhado, e quando eu estou de mal humor coloco um escudo invisível que nada consegue penetrar!!Nem mesmo a nossa parceria de alegrias, trapalhadas, pensamentos, de partilhar momentos tão bons fazem abrir a guarda. Normal, afinal a individualidade é sempre uma conquista em casos assim. Mas sei que posso contar com a Vi, que estarei sempre correndo pro colo dela quando tudo estiver tão enrolado e confuso, pois ela e a Si são muito mais que amigas e irmãs, são quase uma extensão de mim e é por isso que eu as amo tanto!
De todas as nossas trapalhadas, tem uma que é campeã:
Estávamos na Pernambucanas, e era uma época que nos parecíamos muito, mesmo corte de cabelo, mesmo tipo de roupa, mesma altura e peso. Quando eu olho, a Vi conversando com o espelho achando que era eu! Pode?!
O pior era quando as pessoas começavam a conversar comigo, ou com ela, e numa certa altura da conversa a revelação que não era quem a pessoa estava achando que fosse. Muitas vezes isso aconteceu. Hoje mudamos um pouquinho,mas é bom lembrar que nas trapalhadas, eu tenho uma companheira e tanto!

domingo, setembro 17, 2006

Curiosidade premiada


Desde criança eu passava em frente desta casa, que fica na região central de Campo Grande, na Av. Mato Grosso, e ficava com tanta vontade de entrar dentro dela, conhecê-la em cada detalhe, que chegava em sonhar que estava explorando-a. Cada dia, imaginava uma peça. Eu imaginava ela toda restaurada,com um jardim bonito e entristecia-me ao vê-la abandonada. No início do ano, colocaram um tapume bem alto, pensei comigo que iriam demolir a pobrezinha. Mas acredite, a prefeitura irá transformá-la num centro cultural. Fizeram uma reportagem na tv, mostrando como ela estava por dentro. Para minha surpresa, muitas peças corresponderam à minha imaginação. Seu porão, um tanto tenebroso, guardava salas secretas, uma neura do antigo proprietário. O piso, as janelas, o quintal e o jardim dos fundos... tudo de bandeja para eu ver antes da reforma. Agora, minha curiosidade foi premiada e eu terei a oportunidade de visitá-la toda revitalizada, quantas vezes me der na telha. E com certeza serão várias!

Análise política de Jonas


Enquanto a família discutia sobre as eleições, alguém falava sobre o nosso presidente Lula. Jonas, apenas dois anos de idade faz a análise mais acertada:
- Lula não! Bob Esponja...
O menino sabe das coisas.

sábado, setembro 16, 2006

Segredos




Eu procuro um amor
que ainda não encontrei
diferentes de todos que amei
Nos teu olhos quero descobrir
uma razão para viver
e as feridas dessa vida
eu quero esquecer
Pode ser que eu a encontre
numa fila de cinema
numa esquina ou numa mesa de bar
Procuro um amor
que seja bom pra mim
vou procurar, eu vou até o fim
E eu vou tratá-la bem
pra que ela não tenha medo
quando começar a conhecer
a conhecer os meus segredos

Eu procuro um amor
uma razão para viver
e as feridas dessa vida
eu quero esquecer
Pode ser que eu gagueje
sem saber o que falar
mas eu disfarço
e não saio dem ela de lá.
Frejat

Fiquei durante muito tempo refletindo... Como está difícil manter ou iniciar os relacionamentos verdadeiros. Tudo porque a confiança, o respeito e os sentimentos mais ternos andam esquecidos. Mas penso que persistir vale a pena. Tenho meus momentos de achar que não dá, que não é assim que eu quero e pensar o tanto que sou infeliz. E idealizo muito, me frustro. Passo algum tempo deprimida, mas aos poucos mudo o foco. Às vezes sentir que você quer viver um amor de um conto fantástico faz apenas uma nuvem bem negra surgir no coração e não se consegue enxergar as possibilidades. Enquanto houver uma, eu estarei buscando de algum modo ser feliz, pois eu vim para esta vida com esse propósito, ser feliz e dar aos que me cercam o melhor de mim, (e muitas vezes o pior, pois sendo humano, isto é inevitável). Ter consciência disso tudo já é alguma coisa. Ah...mas no dia de hoje eu torço para os encontros, os reencontros e os amores possíveis. Ter a chance de viver um grande amor...Puxa vida, como seria maravilhoso isso ser mais comum e de livre acesso aos que eu considero verdadeiros amigos, em meu coração...












O nascimento de Isabela


Acabei de chegar da maternidade. Fui conhecer Isabela. Ela nasceu ontem, às 15h. Começou muito bem, a obediência em pessoa! Sua mãe, minha amiga Fernanda está ótima com um sorrisão que dá gosto e o pai, babão, Gil encantado com tanta beleza. Gabi está brincando com as amigas, louca pra que sua mãe volte com sua irmãzinha para casa. Bom, este é um começo. Uma vida linda pela frente. Desejo que seu caminho seja belo e muito iluminado...

segunda-feira, setembro 11, 2006

Imagine




Imagine there's no heaven,
It's easy if you try,
No hell below us,
Above us only sky,
Imagine all the people
living for today...
Imagine there's no countries,
It isn't hard to do,
Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the peopleliving life in peace...
Imagine no possessions,
I wonder if you can,
No need for greed or hunger,
A brotherhood of men,
imagine all the people
Sharing all the world...
You may say I'm a dreamer,
but Im not the only one,
I hope some day you'll join us,
And the world will live as one

Imagine que não exista paraíso,
É fácil se você tentar.
Nenhum inferno abaixo de nós,
Sobre nós apenas o céu.
Imagine todas as pessoas
Vivendo pelo hoje...
Imagine que não existam países,
Não é difícil de fazer,
Nada porque matar ou morrer,
Nenhuma religião também.
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz...
Imagine nenhuma propriedade,
Eu me admiro se você conseguir.
Nenhuma necessidade de ganância ou fome,
Uma fraternidade de homens.
Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo todo.
Você pode dizer que sou sonhador,
Mas eu não sou o único.
Eu espero que algum dia você se junte a nós,
E o mundo viverá como um só.
John Lennon
Pode não ser tão criativo, na contra capa do livro de Ivan Sant'Anna, Plano de Ataque, ele colocou Imagine, um hino do paz e amor... Saber que quando assistia ao vivo, pensava atordoada,que mundo é esse que eu trouxe meus filhos?! O Pedro estava no meu seio, e eu olhava para ele e a Isadora... tantos temores. Mas por um tempo, foi me dando uma agonia sem fim, e as pessoas que trabalham ali??? Meu Deus! É cruel... Os anos passam e a lição fica:
Faça tudo ao seu alcance para que nenhuma idéia, crença ou riqueza material valha mais que uma vida...

domingo, setembro 10, 2006

Receita pra lavar palavra suja

Receita pra lavar palavra suja
Mergulhar a palavra suja em água sanitária.
Depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol
adquirem consistência de certeza. Por exemplo a palavra vida.
Existem outras, e a palavra amor é uma delas,
que são muito encardidas pelo uso, o que recomenda esfregar
e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente.
São poucas as que resistem a esses cuidados, mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tira sujeira difícil, mas nada.
Toda tentativa de lavar a piedade foi sempre em vão.
Agora nunca vi palavra tão suja como perda.
Perda e morte na medida em que são alvejadas
soltam um líquido corrosivo, que atende pelo nome de amargura,
que é capaz de esvaziar o vigor da língua.
O aconselhado nesse caso é mantê-las sempre de molho
em um amaciante de boa qualidade. Agora, se o que você quer
é somente aliviar as palavras do uso diário, pode usar simplesmente
sabão em pó e máquina de lavar.
O perigo neste caso é misturar palavras que mancham
no contato umas com as outras. Culpa, por exemplo,
a culpa mancha tudo que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.
Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo, já que desejo,
sendo uma palavra intensa, quase agressiva, pode,
o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.
Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras
sob o risco de perderem o sentido.
A sujeirinha cotidiana, quando não é excessiva,
produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.
Muito importante na arte de lavar palavras
é saber reconhecer uma palavra limpa.
Conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que se misture em seus gestos, que passeie
pela expressão dos seus sentidos. À noite, permita que se deite,
não a seu lado mas sobre seu corpo.
Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne,
prolifera em toda sua possibilidade.
Se puder suportar essa convivência até não mais
perceber a presença dela,
então você tem uma palavra limpa.
Uma palavra limpa é uma palavra possível.

Viviane Mosé

Momento passional





Sem muitas palavras, sem nenhum altruísmo...
Tatiana, eu te odeio!

sábado, setembro 09, 2006

O pequeno príncipe e a raposa




E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos d uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
...Mas a raposa voltou a sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mau-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...É preciso ritos...
... Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! Disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste a ninguém. Sois como era minha raposa. Era uma igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Agora ela é única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob uma redoma. Foi a ela que eu abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas ( exceto duas ou três borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
-Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante.
-Foi o tempo que perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

Sinto-me responsável por todos aqueles que eu cativei, ou que me cativaram. Isso é fácil? Não. Por vezes deixo de cuidar bem de cada um, com carinho e atenção que merecem. Mas cada amigo é para mim algo inestimável. É a grande oportunidade de aprender e de crescer como pessoa.Há pessoas que são um equívoco, que talvez eu não soubesse cativar, ou que talvez eu reconhecesse nelas as minhas fraquezas e defeitos, e sendo assim eu descartei, deixei de lado de uma vez. Outras o tempo e espaço separaram, mas são como o trigo para mim, uma simples recordação me remete aos bons momentos juntos.Eu amo todos que me cercam. Gostaria que todos soubessem, caso eu não tenha dito. As palavras, às vezes ficam travadas em nossa garganta, simplesmente não saem. Mas quando me encontrar, saiba que é com um grande abraço que retribuirei tua amizade.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Eclipse


Um dos fenômenos que eu mais admiro é o eclipse. Não tem nada de tão especial, é algo muito simples. Mas meus sentidos vão bem além do que podemos apreciar nessa imagem em Amã, na Jordânia. Aquela sombra que vem chegando, encobrindo a Lua me dá a sensação de todo o mau humor, de todos sentimentos ruins que podemos ter numa fração de segundos e assim, inevitávelmente, ofuscam nossa vida. Muitas vezes perdemos o brilho, a vontade de reagir diante tantas coisas que nos aborrecem. Nem sempre é possível aceitar tudo e todos. Nem sempre é possível ter esperança de que as coisas mudem rependinamente ao nosso favor. Então, você se encolhe. Deixa as sombras passarem...e percebe que pode fazer muito melhor do que antes. Que pode aprender a ser mais humilde, menos egoísta e atento aos seus sentimentos. Meu eclipse pessoal está passando. Nesta existência terei muitos, muitos outros. Mas cada um deixa um aprendizado. E volto com mais amor a tudo aquilo que estimo e acredito.

"Tenho fases como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho fases de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu inevitável fuso!
Não me encontro com ninguém
( tenho fases como a Lua...)
No dia de alguém ser meu
não é o dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu..."
Cecíla Meireles

segunda-feira, setembro 04, 2006

Ouvir estrelas

Ora (direis) ouvir estrelas!
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" Eu vos direi, no entanto,
Que para ouví-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora:" Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
Eu vos direi:"Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Olavo Bilac
Deu um trabalho danado, mas consegui começar o trabalho sobre o Universo. Tudo culpa de Plutão que não é mais planeta! Minha amiga Fer ficou deprimida: "Onde já se viu mudarem as coisas assim! E meu mapa astral! Meu ascendente! " Como não creio muito nisso tudo, pra mim só deu mão de obra, os livros, pensa tudo com conceito antigo. Antigo? Duas semanas! Tudo tão rápido...Tudo muda tão rápido. As informações ultimamente já vem com um sabor antigo, parece que nada é tão novidade. Na sala de professores então é um bombardeio de informações. Mas é muito bom. Eu amo trabalhar no sábado de planejamento, porque dá pra encontrar todo mundo. Por mais que tenha a habitual "comida de rabo", sempre sobra o bom humor dos meus colegas, companheirismo e sensibilidade de ouvir um ao outro. Cada figura que aparece! Tem uns que você tem que aproximar-se com mais cuidado, são criteriosos e um tanto explosivos de vez enquando. Outros, ou melhor, outras eu tenho em meu coração como fizessem parte de mim, são meus maiores e mais preciosos tesouros, que conquistei com muito carinho. São minhas estrelas...admiro-as, escuto e sei que podem me ouvir sempre que minha vida estiver muito sem graça, conturbada ou fora do eixo. Mas o melhor mesmo é festejar tudo que podemos ser enquanto um grupo. Afinal, nossa profissão vive num limite tênue, de emoções intensas em sala de aula. Trabalhamos com o conhecimento, com as personalidades ( quantas!) e acima de tudo com pessoas em formação. Por isso quando vejo um levantando o astral do outro, buscando ajudar a superar os momentos difíceis e na busca incansável de dar o melhor de si, fico orgulhosa e feliz de estar nesta profissão, linda e muito importante para toda a sociedade. Não tolero reclamações...quem faz as escolhas somos nós, quem tem um caminho mais difícil é porque assim o escolheu. O dia que eu levantar de minha cama e pensar: "Não quero mais..." eu mudo de rumo. Não dá pra ser pela metade. Não num canteiro de estrelas.


domingo, setembro 03, 2006

Rapidinhas do Pedro


No carro.
Isadora num momento reflexivo:
-Quando eu crescer, vou ser dentista!
Pedro:
-Ah, quando eu crescer...( silêncio), vou ser Power Ranger Verde!

Sinais de Fogo

"Quando você me vê eu vejo acender
Outra vez aquela chama
Então pra que se esconder
Você deve saber o quanto me ama...
Que distancia vai guardar nossa saudade
Que lugar vou te encontrar de novo
Fazer sinais de fogo
Pra você me ver...
Quando eu te vi, que te conheci
Não quis acreditar na solidão
E nem demais em nós dois
Pra não encanar...
Eu me arrumo, eu me enfeito, eu me ajeito
Eu interrogo meu espelho
Espelho que eu me olho
Pra você me ver...
Porque você não olha cara a cara
Fica nesse passa não passa
O que te falta é coragem...
Foi atrás de mim na Guanabara
Eu te procurando pela Lapa
Nós perdemos a viagem..."

Que final de semana! Sem comentários, fui do inferno ao céu...Prefiro a segunda opção.
Nada como o poder da sedução pra fazer as coisas melhorarem...

sábado, setembro 02, 2006

O grito



Manter a calma, sempre foi algo que o fiz com naturalidade. Ultimamente, não. E isso é muito bom. Você não tolerar que desrespeitem sua opinião ou que te façam uma ofensa sem uma devida reação. Mesmo que tenha o cuidado de não exceder, você acaba o fazendo e colocando outras pessoas numa situação pouco confortável. No meu caso, quem me ama, torcia para que isso viesse a acontecer. Então é mais fácil, com uma torcida organizada! E assim a calma dá lugar ao grito, ao desabafo, a despejar pra fora tudo oque faz mal, que não deve ser levado no coração...A mágoa é um sentimento muito contaminante, se você deixa ela por aí, sem nenhum cuidado ela mancha tudo ao redor, não fica nada sem uma pontinha de mágoa. E seu sorriso e seu falar fica pela metade. É um caminho sem volta, bem mais honesto comigo mesma.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Noite Estrelada


Uma noite na solidão da casa não me fará mal. Vou olhar as estrelas que brilham ao meu redor. Tenho as amizades de todas as horas, tenho as músicas que embalam meus pensamentos, tenho aos livros que eu viajo...que chato, eu não quero nada disso. Queria apenas uma companhia.
Numa noite estrelada.